terça-feira, 11 de setembro de 2012

Envelheço na Cidade

Por estes dias estava escutando esta música do Ira! e me serviu de citação e inspiração para este pequeno poema feito em 4 minutos e 23 segundos (risos). Pois hoje, 12 de setembro de 2012, completo 35 anos presos num eterno corpinho de 18! (mais risos). A minha alma é mutante. Minha mente é de criança. Oscila para adulto na hora de pagar as contas. Caramba, sei que muitas emoções ainda me esperam......Cara, só sei que nada sei.


Assimila aí:

Envelheço na Cidade
Mas se morasse na Colônia
teria exatamente a mesma Idade
Aqui em Bento e quem sabe na Polônia
Na mesma Intensidade
Minha juventude é uma Insônia
Com fome de Felicidade



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

IMPESSOALIDADE.



Ela nunca havia entrado num motel. Não sabia que cheiro tinha, que sabores iria descobrir, estava assustada com o que poderia encontrar. Que música estaria tocando? Quem a veria lá? Tantas dúvidas passaram pela seu cabeça.... Era um mundo novo que estava prestes a ser descoberto.

O perfume era de almíscar com um leve toque cítrico. Ele sussurrava no ouvido dela, lhe dizendo coisas das quais um monge se arrependeria de ouvir. O sol espreitava ao fundo das montanhas daquele vale e todo o verde da paisagem logo foi trocado pelo vermelho do quarto e suas luzes e vapores vindos da banheira refletidos no espelho do teto. Ela saboreava aquele momento com fervor, turva em seus pensamentos, ilusa, presa naquela experiência de puro êxtase de amor despido. Ele o tocava com aquele botão de rosas e passava por toda sua barriga, lhe dava mini trufas de cereja com chocolate preto e atenuava-lhe o paladar com um gole de espumante Brut. Quando tudo parecia estar completo chega o momento de consumação onde todos ficam tensos, pois ela nunca esteve em um motel. Confusa sem saber o que fazer ela se nega a entregar-se aos prazeres da vida e se nega a experimentar tudo aquilo que poderia ser único por tempo indeterminado, pelo simples fato de ter medo.

Então ela agarra seus pertences e se retira do quarto, chamando um táxi pelo celular. E o misterioso homem do perfume de almíscar continua na cama deitado, com seu momento procrastinado, analisando as cores do quarto do motel, assistindo ao filme no aparelho televisor. 


William Minuzzi.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O Império dos Mosquitos


                 Vinte e nove anos, formado em Publicidade e Propaganda, caseiro e descolado. Seu hobbie era chegar do serviço para ver sua sitcom favorita e depois dormir no sofá. Nos dias de jogo não se rende ao sono, prefere ver seu time até o fim, ganhando ou perdendo. Esse era o perfil de Maurício, um rapaz que morava a uns cinco meses num casarão meio distante do centro da cidade. Seu quintal era do tipo extenso e bem florido, o que dava margem a uma das coisas que ele mais considerava praga: Mosquitos. Maurício sempre foi um rapaz que acreditava nas teorias da conspiração, não foi à toa (depois de inúmeras vezes perturbado), que começou a estudar mais esses bichinhos que ali reinavam. Ele tinha esse pensamento, que além de suprirem essa função de se alimentar, tinham um leve sadismo ao passarem todas as noites zunindo ao ouvido do homem. Tentara de tudo, mas nada funcionara. Afinal, não dá para entender esse tipo de coisa, fazia dias que Maurício não acordava com uma picada em sua pele e já tinha meses que tinha comprado repelentes eletrônicos e tudo mais. Mas sempre quando chegava a sua casa, encontrava pelo menos dois encostados em sua parede na sala e mais alguns na parede da cabeceira de sua cama.

            - Matadores de noites, matadores de sono! Filhos da puta! Ainda acabo com vocês! – Essas eram as frases intermináveis com boa pitada de ódio que Maurício soltava, durante a noite, para os mosquitos que zuniam em seu ouvido.

            Querendo ou não os filhos das putinhas ainda funcionavam como um certo despertador para o morador da casa, tanto para levantá-lo do sofá da sala para cama, tanto para acordá-lo para ir pro trabalho. O problema vinha sempre no meio da noite. Ninguém quer levantar para pegar uma raquete de choque ou algo do tipo, mas seus zunidos ainda estavam lá. “Zzzz”, um tapa rolava... Em vão. Mais um zunido e mais um tapa, seguido de uma virada para outro lado... E assim ia, até ele se levantar e xingar os animais. Maurício pensou seriamente em comprar um sapo, ou pegar de algum lugar. Ficava feliz quando uma aranha aparecia em sua casa, mas nada dava certo ali, eles apareciam em mais. Cada vez mais barulhentos, cada vez mais perturbadores. Se não fosse tão cético, até diria que nesse meio tempo, entre zunidos e tapas descoordenados que marcava Maurício, os mosquitos riam da cara do dono da casa. Parecia uma marcação de território, dava pra sentir a frase sendo traduzida:

            - Somos nós que mandamos, mata um e criam-se mais dez. Esse é o nosso lar, nosso lugar, nosso império.

            Duas semanas depois de inúmeras tentativas frustradas de eliminar os mosquitos do recinto, o cidadão se rende aos desejos dos pequenos animais. Maurício decide mudar dessa casa. Com ele: o caminhão da mudança, um par de olheiras gigantes, grandes malas, alguns caixotes fechados e um lindo sapo magro engaiolado.



           


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sagu com creme.



Supondo que todos aqui conhecem aquela sobremesa pós almoço de comunidade de interior, básica, o famoso sagu com creme....
Mas antes de mais nada, proponho a você que não gosta mesmo de sagu, substituí-lo por pudim, torta de bolacha, pêssego em calda, ambrosia ou qualquer outra sobremesa que as avós sabem fazer como ninguém! Enfim, essas sobremesas simples e deliciosas.
Muitos restaurantes da região colocam a disposição da clientela o referido doce como sobremesa "gratuita" para que seus clientes o saboreiem durante o intervalo da labuta diária, incluso no valor do buffet, mas acontece que, um incontável numero de pessoas, associando o nome sagu com creme com as festas coloniais, cheias daquelas tias gordas de bochechas rosadas e com lenços amarrados na cabeça, acabam menosprezando e satirizando tal iguaria culinária como se fosse algo tosco, ruim, sem gosto, brega, sem graça ou cafona.
Na real é muito simples fazer sagu com creme, e na real, mesmo que você não admita você já se fartou com esta sobremesa e ainda pediu bis quando criança na casa de sua avó. (Ah como as coisas eram boas leves e inocentes quando éramos crianças! Você se lembra?).
Filosofando uma dessas filosofias baratas de boteco, com uma amiga minha durante um almoço aleatório numa semana qualquer que já se passou, acabamos concordando que todo gringo que se preza ama comer um saguzinho com creme. Por outro lado, todo o gringo enrustido, que mora na cidade “grande” tem um costume feio de querer esconder suas raizes, e seus costumes, principalmente os “magricolas” (gringos enrustidos mais jovens) logo tudo quanto é gringo, mesmo que escondido, adora um sagu...
Seguindo a lógica da filosofia barata de boteco, ali está o problema! A tal sobremesa é algo doce, gostoso, simples e barato que tudo quanto é velho do interior tem a receita. Os gringos modernos podem ter deixado sagu com a fama de cafona, mas isso não o torna ruim de fato, nem menos gostoso! Nosso problema é nos preocuparmos com o que é ou deixa de ser cafona, e não perceber o que é ou não é bom de fato, entendeu aonde eu quero chegar?
Pois bem, tudo em excesso faz mal já dizia minha avó (e ó que a velha já fez muito sagu na vida), a vida nunca será sempre doce, tentar maquiar uma vida sempre doce é coisa pra quem foge das da realidade, se ela fosse sempre doce perderia a graça sem que pudéssemos notar! Hoje em dia não desfrutamos das coisas simples, vivemos em busca de intensidade (sempre foi assim, eu sei mas atualmente isso anda muito intenso não acha?!). Não é a toa que praticamente tudo atualmente é descartável, (aqui eu incluo amizades, relacionamentos e pessoas em geral) Os antigos sempre estão dando exemplos de como as coisas eram melhores nos tempos passados, (tenho medo de poder presenciar minha velhice!).
Mas sou da opinião de que devemos aprender com os mais velhos. Não que a intensidade não seja boa, mas take it easy brow, levar as coisas mais na maciota te fazer valorar e distinguir os momentos incomuns perante os comuns. Afinal de contas a vida é sim composta por momentos comuns em sua maioria!
Acabamos nos esquecendo de ver o bom das coisas quando a opinião alheia já nos passa ha tempos o aspecto negativo do negócio todo! E eu nem preciso dizer que não damos tanta moral para alguma coisa que nos dizem ser positiva quanto damos para as que nos dizem ser negativas né? Quantas vezes deixamos de viver o bom por ser "brega" aos olhos dos outros? Quantas vezes deixamos de falar o que queremos para alguém por ser cafona à vista alheia? ...não fazer essas coisas nos torna covardes e infantis. Ser brega, cafona e ridículo é ficar se policiando quanto ao próprio comportamento, opiniões e atitudes sobre a linha do que a massa dita como legal e bacana...
No fim das contas a vida não é um sonho (bem que gostaríamos que fosse, mas não é.), damos muito mais moral ao negativo relevando de forma irrisória e quase nula o bom, percebemos as coisas como se o mundo vivesse em função de complicar pro nosso lado enquanto vivemos tentando descomplicar o mundo. Quando no fim das contas tudo é de uma natureza tão simples.
Quando a gente percebe a simplicidade das coisas, elas se tornam muito mais leves perante o peso que pareciam ter anteriormente. Quando se fala o que se pensa, inocentemente, sem agredir, de consciência limpa e tranquila livre de freios ou qualquer outro tipo de repressão... Tornando-se levianas as coisas se transformam e tudo fica mais doce! Simples e doce como o sagu que minha vó faz nos fins de semana festivos lá em casa! Sem duvidas, uma das melhores sobremesas que eu já comi!


domingo, 2 de setembro de 2012

Mário Bortolotto - Os que vão viver tu sacaneia


         Mário Bortolotto - Os que vão viver tu sacaneia
Deus me fez propenso
a admirirar o inusitado
a ser prevenido e arriscado

Deus é o culpado
Ele não quer ver minha cara feia no céu
Ele não quer minha urina doce
nos para-choques celestiais
por isso me calçou com velhos bambas
me amamentou com livros
e me fez andar por banheiros infectos

Foi ele quem me fez ver Tom e Jerry
estou detestando filmes de animação
nao estou achando mais nada engraçado
e meu mau humor é responsabilidade dele
Comprei um gorro inglês e tentei angariar simpatias
fiquei chapa da moçadinha
e fui cordial com as velhinhas
andei com os comunistas e
fiz serenatas com grupos de jovens felizes
comi pizzas em rodizios e ri de piadas infames

As velhinhas me detestam
as velhinhas querem ver meu escalpo na ponta de uma baioneta
a moçadinha colocou Butch, o iplacável no meu pé
os comunistas me expulsaram do bar
que lá pelas tantas e pra lá de bêbado
pedi um blues e uma Budweiser

Deus agora deu pra colocar toda a escória atrás de mim
as gentis senhoritas me olham com nojo
Deus, eu não consigo segurar o meu arroto
adotei uma cadela sarnenta
e nem os gatos querem mais papo comigo

Deus, eu estou devolvendo o gorro inglês
tem uma garota em Osasco que não me escreve mais
tem outra que fugiu pra Manhattan
e outra se casou com um escrituário
um escrituário tem mais grana que eu
um escrituário é milionário perto de mim

deus eu só tenho alguns livros beats
e alguns discos de blues
os comunistas detestam blues
os comunistas compraram mais uma kombi
e não deixaram eu entrar nem no porta malas
os comunistas não lêem meus poemas

Deus, o cara mais feio da cidade é meu amigo
ninguém anda com ele
e o cara detesta ficar sozinho

Deus esse cara lê Olavo Bilac em voz alta
e faz performances sob a luz do poste

Deus, eu ando aplaudindo meu unico amigo
Deus, eu acho que eu sou menos que um escrituário
eu tô me sentindo menos que um escrituario
ando falando com uma lata de biscoitos
ando bebendo muito pra achar engraçado o lero com a lata de biscoitos

Deus, os biscoitos são tão apetitosos
eu choro quando penso em comê-los
Deus, eu não sei mais nenhuma oração
mas eu rezo muito
olha, eu vou embora
vou enfircar a estatua do Aleijadinho
vou arquitetar um plano de consequencias terriveis
para os mineiros cantores
só vou livrar a cara dos que já morreram
só bêbado tem saco pra ler oque escrevo

Deus, eu procurei uma clínica psiquiátrica
e minha irmão estava na recepção
me sorrindo e pedindo dados pessoais

Deus eu preciso me desintoxicar
eu toco a campainha e ela nunca atende
eu vou na casa dela e ela deixa um bilhete com a mãe
as garçontes não anotam meu pedido
os mendingos não pedem esmola
até a acne está ameaçamdo me abandonar
Deus, você sabe como fazer as coisas
fique com o gorro inglês
eu vou pra casa
vou arranhar a parede
e bolar uma estratégia de fuga
Vou sacanear o anjo da guarda que me deixou na mão
Deus, eu quero meu anjo de volta
o cara que come hot-dogs tem um anjo
o cara do banco que nunca leu Bukowsky tem um anjo
o escrituário tem um anjo
ate Bukowsky se bobear tinha um anjo
só eu não
eu exijo meu annjo de volta
eu não fiz propostar indecorosas para ele
como andam espalhando por aí
eu não seria capaz
eu ando me arrastando atras de mulheres
eu acho Marion Zimmer Bradley o máximo se elas quiserem
Deus, eu sou capaz de coisas vergonhosas por uma boca feminina
Devolve meu anjo, porra
Deus eu acho que sou feliz e não sei mas e aí?
quem é que quer esse bando feliz no calcanhar?
essa gosma saudavel?

Deus, eu cansei de ser gentil
de exalar lugar comum
pra uma platéia feliz
Deus, o baú ta vazio
venderam meu tumúlo pro caixa do banco
quem é que quer um tumúlo?
estou destilando arrogância e tò respirando
você tá sorrindo sacana
acho que entendi o recado.

sábado, 1 de setembro de 2012

O melhor.


Reservarei esse espaço de hoje, não para falar sobre "um" amigo e sim, "o" amigo. Aquele único, aquele foda, aquele que tu enche a caixa torácica para dizer: esse é meu xirú veio.
Não dá para fugir dele. Todo mundo tem pelo menos 1 ou 2 desses. Ele é aquele que chega completando o copo de trago numa finaleira de noite num bar furréco no fim de semana. É aquele que quando tu estás sem crivo e um puta pila no bolso, chega com alguns centavos para comprar avulso numa lancheria qualquer. É aquele que quando ganha alguma coisa de ti – desde uma partida de vídeo-game, até a uma de bisca - tira com a tua cara sem parar, quase tendo um enfarto de tanto rir. É aquele que mesmo longe, mantém a sintonia intacta, afinal, amizade forte é aquela que mesmo depois de um tempo sem se ver, quando estão juntos parece que apertam um "play" e aquele silêncio constrangedor e desespero por não saber o que perguntar não existe, pois parte do ponto em que "pausaram". O melhor é aquele que mesmo tu quebrando o Código dos Manos* tu tem uma segunda chance, ou uma terceira, ou uma quarta... Porque erros todos cometem, e em uma amizade forte, por incrível que pareça, existem mais erros do que em uma amizade normal. Dizem que os amigos são a família que tu pode escolher, eu digo que o melhor amigo é toda a família reunida em uma só pessoa. Sendo o pai quando merece levar um puxão de orelha, a mãe quando precisa passar a mão na cabeça e o irmão naquela implicância saudável e típica de brothers. É aquele que nas férias, te faz ser um turista em casa. Melhor amigo é o teu namoro, tua família, teu porto seguro, tuas qualidades e teus defeitos coexistindo em um só. Melhor amigo na verdade é a parte que falta em ti, e por isso é eterno, porque quem em sã consciência gostaria de viver sua existência inteira, incompleto? Pois é, posso não ser um expert em namoro, e disso eu me orgulho rs, o melhor membro da família, nem empilhar muitas conquistas nesses anos de estrada, mas me sinto especialmente grato e especial por conhecer esse tipo de amizade. De encher o pulmão de ar, o copo de cerveja e os olhos de lágrimas para dizer: Eu tenho o(a) melhor.

*Código dos Manos (The Bro Code): no seriado How I Met Your Mother, é um livro criado pelo personagem Barney Stinson com diversos artigos definindo a honra e a moralidade dos manos (melhores amigos). Alguns quando quebrados, tem conseqüências bastante severas. Alguns exemplos: Manos antes de mulheres. Na existência de uma briga entre garotas, chamar imediatamente seu mano para assistir. Nunca dormir com a ex de seu mano. Etc, etc e tal.

Por Vinícius Rodrigues

Doença da carência


Sinto falta de um abraço
Sinto falta de um beijo

Mas tudo isso é apenas desejo
Tudo isso é mais um praguejo

Jogado, enfentiçado
Burro, abobado

Adoçado na doença
Amargado na carência.