domingo, 3 de fevereiro de 2013

Gordo só faz...



Pão de queijo.  Só para quebrar o jejum nas postagens.

É mesmo, pão de queijo. Foi-me apresentando numa quarta feira de manhã, manhã morna de outono. Minhas manhãs de outono foram assim cara. Acorda cedo, toma banho, escova dente, pega material, corre pra faculdade, sonha, dorme, sonha, acorda, música, café. Pão de queijo. Meu pão de queijo era lotado de sentimento, caraca e nem era tão bom, mas ele era cheiroso. O café é que era ruim, parece esse que acabei de fazer, deve ser a cafeteira, sempre considerei fazer café uma arte, você precisa aprender e saber fazer. Não é simplesmente lascar o pó no coador, tem um feeling good pra fazer ele. Sentir ele. É café. É o teu maldito combustível na manhã. Ótimas manhãs de quarta feira, eu tinha o café da manhã que muita gente deseja. Café da manhã simples e bem acompanhado. Melhor acompanhado, só se fosse em casa, com geléia de goiaba e pão torrado, com minha companhia usando minhas camisas, que obviamente ficariam super folgadas. Camisa branca e alça do sutiã caindo pelo ombro. Sim, uma das melhores imagens matutinas. Sua querida acordando.  Isso te deixa melhor que a noite inteira de sexo. Deixa qualquer um bem.

Mas, voltando para a realidade. O cheiro. Qual das suas lembranças vem acompanhada de cheiro? Eu acredito que seja muito sensitivo. O cheiro. Aposto que alguma vez, você ai leitor masculino andando pela rua, numa quarta feira de manhã passou por aquela gordinha, de cabelos molhados que deixava num rastro de perfume gostoso, seja o creme dos cabelos ainda molhados. O cheiro. Seu trunfo, como uma gata no cio. Grita pelo bairro inteiro, chama a atenção, grita e geme pelo apartamento inteiro. Suplica atenção, espera o gato. Dono do jogo, com o bem mágico que o sexo faz, vem morde o pescoço, prende e pronto. Forra. Brinque. Touché.

Lembranças da infância. Uma vez comentei dos lábios salpicados de açúcar. Aquele gostinho sem igual, único. Cheirinho de sonho. Gostinho de sonho. Nem vou começar a falar de gostos que ficam, poderia falar por dias aqui. Mas não, corta. Pensem no cheiro, café da manhã, lembranças, lembranças felizes. Joelhos lascados, cheiro de grama molhada. Cheiro de chuva. Infância. Amigos, correria. Fim.

Uma hora crescemos e novas lembranças surgem, novos cheiros.

Cheiro de café.

Cheiro de pão de queijo.

Cheiro de livro velho.




Um bom dia para vocês.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Esperança de 2013 para o meu Glorioso






Sei que é muito cedo pra falar, mas quero estar confiante esse ano pra ganhar um título expressivo. Estamos com um time bom, nomes e pessoas que jogam bem, só falta uma visão mais estudada do técnico. Andrezinho, Seedorf, Bolívar (Apesar de ter passado parado no Inter), Bruno Mendes (Um tiro no escuro e um bom tiro) e entre outros. Antes eu apostava as fichas no Oswaldo, hoje em dia acho ele bem arrogante e prepotente perante a torcida. O problema é psicológico no time, salto alto em jogo perante a time menor ou por vitórias seguidas não pode existir. Os "estrelinhas" que atrapalhavam o time se foram, cadê o incentivo? Cadê os pés no chão? (Inclusive, o Criciúma fez um favor para nós. Haha!) Vale sim um apoio da torcida, o ensaio pra temporada de Brasileirão (Campeonato Carioca) deveria ser respeitada, Sulamericana e outros deveria ser mais valorizada pela torcida, somos o 13º jogador. 
Em relação ao presidente e seus projetos falidos, nem vou comentar. Espero que ele tenha dado um pulo bom para esse ano. Espero emoções, como todo alvi-negro carioca. Não só queremos o "quase". Pra cima deles, Fogão. Temos chance, só falta a garra. 
Apesar de estar longe, sempre estarei contigo, por um simples motivo: Porque eu sou BO-TA-FOOO-GO.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

2013: Saudades, feridas e muita podridão.





            Pequenas saudades da calmaria, sinto tanta falta de 2012 e da minha infância... Não! Não sinto falta de retrospectiva, que pra mim, sempre soa como algo tão bosta. É que eu estava tão acomodado no narcisismo, investir em mim e ser totalmente independente desse negócio chamado de sexo. 2013 pra mim começou com um baita passo com o pé esquerdo, chato, frustrante e alcoólico. Digo mais: quero apagar esse Janeiro de mim em plena segunda semana do mês! Quero apagar de tudo que posso sentir de ruim. Aquela auto-estima que nunca foi das melhores agora me afeta. Não responsabilizo ninguém, só as minhas escolhas. Mas o mais interessante é que nunca me arrependi daquilo que fiz. Às vezes acho que o mundo está cercado de idiotas e cada ano que passa, mais confirmo isso. Odeio essa calúnia tosca, essa mentira obscena que o homem anda criando e obsessão de encontrar o perfeito em uma pessoa não sendo perfeita para si mesmo. Não falo por momentos depressivos, falo por uma revolta incondicional que tenho observado a tempos. Tenho saudade da infância inocente e feroz, a mesma que afetava pela sinceridade clara de outra criança. Acho que o humano por si só já chegou ao seu limite, daqui a diante só veremos podridão. Sinto em dizer que não consigo em confiar em alguém, sinto em dizer que pilares de um mundo construído só tem ruído cada vez mais com o passar do tempo, me sinto não na realidade, mas em um inferno tão fugaz que não há pessoas onde possa confiar. Acho que até o capeta seria mais sincero em seus fazeres, em seus atos e em sua moralidade,  entre outras “pequenas” coisas que perdemos. É tanto corrimão para segurar, mas nenhum consegue passar aquela segurança. Nascer, crescer, reproduzir, morrer... Queria ser simples assim, mas nunca é. Objetivo, claro e intenso, a vida se resume em passagem e não de metas criadas por um sistema completamente complexo com pessoas neuróticas ou sociopatas.
Santo daquele que criou o álcool. Santo daquele que quis fugir um pouco dessa hipocrisia e ter um momento de felicidade total. Escrevo isso com toda a preocupação de estar virando um dependente alcoólico. Uma “bira” para aliviar, outra para esquecer memórias passadas e pimba, olha como estou. O dia seguinte é o mesmo, meu trabalho tranqüilo e com gosto, mas o desgosto de chegar em casa e saber que vivo uma mentira. Lembro-me muito bem de filmes, um tanto quanto revolucionários, que me chocaram nesse meio tempo, “Transpotting” e “Fight Club” são alguns. Escolher uma vida, escolher toda aquela merda material para ser feliz consigo mesmo... E pra que? Não há sentidos, nunca fará. Somos tão superficiais que nem percebemos nossos deslizes no dia-a-dia. Um desejo tosco por aparência, que é aquele belo exemplo. Viajamos, tocamos, compramos as vezes pelo simples status. E digo também de uma simples vestimenta/aparência, que por ela você define caráter de uma pessoa. Ora, tão hipócrita esse mundo, onde somos tão cristãos e veneramos um rapaz barbudo, mas não podemos ostentar uma barba em nossos empregos pela má aparência.
Tenho saudades de um monte de coisas. Tenho saudades das pessoas sinceras, que independente de uma camisa regata, bermuda e chinelo, te cumprimentam. Tenho saudades de pessoas que falam de coisas e não de pessoas. Tenho saudades de pessoas com amores que vão além de um “camaro amarelo” mas que estão até em um ônibus com você. Sinto falta da ingenuidade.

domingo, 25 de novembro de 2012

Piptadenia peregrina





Sábado, chuva e frio. Como de costume, estou de cuecas, sentado no sofá da sala. Resquícios da ex-mulher, sofá chique escolhido a dedo junto com o porcelanato aquecido do piso. Estava puto. Pensando em dar uma volta com a revolta que só eu conhecia. Esfriar a cabeça sabe?  Comer um belo bife mal passado no restaurante aqui do lado de casa, tomar uma taça de vinho, fumar um cigarro, voltar pra cá e escrever alguma coisa nojenta.
Suspirei, pisquei.
Minha meditação foi interrompida por batidas na porta. Batidas delicadas, nem precisei levantar para me dar conta que era uma mulher. Repousei a lata de cerveja no braço do sofá, baixei o volume da TV.
- Quem é?
- Oi.
...
- Sou eu, abre.
...
Alguns segundos depois
- O que é que tu quer?
- Tudo bem? Abre a porta.
- Tava fazendo o que?
- Vai se foder, não interessa.
- Abre logo.
Desisti, abri.
- Desculpa aparecer sem avisar, mas quero conversar.
- Negócio deve ser sério, tu nunca me pediu desculpas por nada. Entra e senta.
Ela passou porta e sentou numa chaise de couro branco, aposto que aquela bunda não ia melhor se sentar em outro lugar. E em dois suaves movimentos tira um cigarro e o acende, leva a boca, um buraco vermelho que atrai todos meus desejos mais íntimos. Mandei apagar o cigarro, ninguém fuma na minha casa.
- Quer uma bira?
- Quero.
- Sabe onde é a geladeira.
Fiz questão de nem levantar, ela sabia bem se virar.
- Caralho! Que merda de cozinha ein, eu pensando que ela era bagunçada.
- Não enche.
- Tu não era assim.
- As pessoas mudam.
- Olha, não tenho pra aturar teu papo furado. Desembucha.
Ela saiu completamente nua. Da boca aberta, com batom vermelho de canto eu via uma gosma branca. Cabelo bagunçado, maquiagem borrada.
Pisquei novamente e acordei.


domingo, 18 de novembro de 2012

Guarani Kaiowá de boutique



Adultos condenados a infância moral seguramente viram pessoas de mau-caráter 

As redes sociais são mesmo a maior vitrine da humanidade, nelas vemos sua rara inteligência e sua quase hegemônica banalidade. A moda agora é "assinar" sobrenomes indígenas no Facebook. Qualquer defesa de um modo de vida neolítico no Face é atestado de indigência mental.

As redes sociais são um dos maiores frutos da civilização ocidental. Não se "extrai" Macintosh dos povos da floresta; ao contrário, os povos da floresta querem desconto estatal para comprar Macintosh. E quem paga esses descontos somos nós.

Pintar-se como índios e postar no Face devia ser incluído no DSM-IV, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

Desejo tudo de bom para nossos compatriotas indígenas. Não acho que devemos nada a eles. A humanidade sempre operou por contágio, contaminação e assimilação entre as culturas. Apenas hoje em dia equivocados de todos os tipos afirmam o contrário como modo de afetação ética.

Desejo que eles arrumem trabalho, paguem impostos como nós e deixem de ser dependentes do Estado. Sou contra parques temáticos culturais (reservas) que incentivam dependência estatal e vícios típicos de quem só tem direitos e nenhum dever. Adultos condenados a infância moral seguramente viram pessoas de mau-caráter com o tempo.

Recentemente, numa conversa profissional, surgiu a questão do porquê o mundo hoje tenderia à banalidade e ao ridículo. A resposta me parece simples: porque a banalidade e o ridículo foram dados a nós seres humanos em grandes quantidades e, por isso, quando muitos de nós se juntam, a banalidade e o ridículo se impõem como paisagem da alma. O ridículo é uma das caras da democracia.

O poeta russo Joseph Brodsky no seu ensaio "Discurso Inaugural", parte da coletânea "Menos que Um" (Cia. das Letras; esgotado), diz que os maus sentimentos são os mais comuns na humanidade; por isso, quando a humanidade se reúne em bandos, a tendência é a de que os maus sentimentos nos sufoquem. Eu digo a mesma coisa da banalidade e do ridículo. A mediocridade só anda em bando.
Este fenômeno dos "índios de Perdizes" é um atestado dessa banalidade, desse ridículo e dessa mediocridade.

Por isso, apesar de as redes sociais servirem para muita coisa, entre elas coisas boas, na maior parte do tempo elas são o espelho social do ridículo na sua forma mais obscena.

O que faz alguém colocar nomes indígenas no seu "sobrenome" no Facebook? Carência afetiva? Carência cognitiva? Ausência de qualquer senso do ridículo? Falta de sexo? Falta de dinheiro? Tédio com causas mais comuns como ursinhos pandas e baleias da África? Saiu da moda o aquecimento global, esta pseudo-óbvia ciência?

Filosoficamente, a causa é descendente dos delírios do Rousseau e seu bom selvagem. O Rousseau e o Marx atrasaram a humanidade em mil anos. Mas, a favor do filósofo da vaidade, Rousseau, o homem que amava a humanidade, mas detestava seus semelhantes (inclusive mulher e filhos que abandonou para se preocupar em salvar o mundo enquanto vivia às custas das marquesas), há o fato de que ele nunca disse que os aborígenes seriam esse bom selvagem. O bom selvagem dele era um "conceito"? Um "mito", sua releitura de Adão e Eva.

Essas pessoas que andam colocando nomes de tribos indígenas no seu "sobrenome" no Face acham que índios são lindos e vítimas sociais. Eles querem se sentir do lado do bem. Melhor se fossem a uma liquidação de algum shopping center brega qualquer comprar alguma máquina para emagrecer, e assim, ocupar o tempo livre que têm.

Elas não entendem que índios são gente como todo mundo. Na Rio+20 ficou claro que alguns continuam pobres e miseráveis enquanto outros conseguiram grandes negócios com europeus que, no fundo, querem meter a mão na Amazônia e perceberam que muitos índios aceitariam facilmente um "passaporte" da comunidade europeia em troca de grana. Quanto mais iPad e Macintosh dentro desses parques temáticos culturais melhor para falar mal da "opressão social".

Minha proposta é a de que todos que estão "assinando" nomes assim no Face doem seus iPhones para os povos da floresta.



Luiz Felipe Pondé em Folha Ilustrada 
Segunda-feira, 19 de novembro de 2012

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/78787-guarani-kaiowa-de-boutique.shtml

sábado, 17 de novembro de 2012

Diálogo de Rotina






Um dia, em um sonho encontrei-me com a Rotina. Ela era uma mulher atraente e esperta, com uma beleza ofuscante que se agravava mais com a sua dialética inquestionável, rodeada de pessoas que a escutavam e admiravam. No mesmo momento, senti um encanto e muitas dúvidas a serem resolvidas, me meti à frente daqueles em que admiravam e a ouviam para um pequeno dialogo/debate:

- Porque me persegue sem aparecer com tua aparência humana formosa?

- Nunca foi perseguição, todo mundo me procura em palavras e em atitudes e me tem. Não preciso usar da minha imagem para conquistar alguém.

- Mas você é cansativa e previsível... A beleza por si só não encantará mesmo sendo assim. Me enjôo de ti a cada semana que passa e assim será até o final de minha vida.

- De diferentes modos eu até sou querida, eu estou até no diferente. Não sou de aparecer, sou de agir. Agir como uma opressora, como pode ver: os mais normais me seguem vendados e quando me perdem, se perdem também. Sou necessária para todos os humanos, mesmo alguns me odiando.

- Mas “Normalidade” é feita de números, estatística, como Aldous Huxley dizia. O perder pode ser o se achar em algo diferente e não rotineiro, algo irregular. Algo inconstante.

- Mas a irregularidade constante também é e vira uma rotina. Nunca vamos nos perder. Até na oscilação entre o regular e o inconstante.

- E qual a prova concreta disso? Se você é onipresente, é como uma deusa. Certo!?

-  Prova? Haha! Sabe que já tentou fugir de mim e o máximo que conseguiu foi me achar de outro jeito. Mas como uma deusa? De fato, mas nunca me reconheceram. Sempre “dei” ou deixei respostas concretas e plausíveis para qualquer acontecimento que me envolvesse, talvez seja por isso. O que o homem não conhece ou não conhecia faz criar deuses que nem existem. Aí sim, depois aparecem alguns que ganham seus cargos aprendendo a fazer e aparecer em um pequeno maremoto ou uma tempestade, aprendendo a mexer com a natureza e assustando os seres humanos. Fui até comparada a Chronnus, só que eu não acho isso. Chronnus tem muito mais importância do que eu, o erro de vocês é acharem que me criaram.

- Não acredito em deuses. Muito menos aqueles que não tem um poder claro sobre os humanos (Como todos acreditam).

- Azar o seu. Eu existo e domino o planeta. Poucos são os animais que não me seguem. Sou hábito, sou necessidade, sou vida, sou regular, sou o constante... Toda a moralidade e ética foi feita sobre a minha pessoa, e até aquele que transgride a lei, vai agir por mim. Submissão total, estou até no universo, na expansão constante. Talvez eu tenha criado tudo isso. Nunca pensaram? Vejo os humanos como pequenos organismo que funciona de acordo com a minha lei: a constância. Vocês não afetam o universo de maneira devastosa, só existem e, por muitos tropeços, se matam.Vocês são ordenados e escravos da minha vontade e sempre serão.

- Não é animador saber disso. O livre arbítrio é uma farsa.

- Sim e não. Mas mesmo assim, deixo a opção de todos seguirem a sua rotina.

Indignado me virei sem dar um tchau na mesma hora. Debates são debates, mas aquele me deixou furioso. Nunca tinha pensado na “Rotina” como uma deusa. Admirei-a. Sai da frente dos outros e tentei sentar com eles para escutá-la. A cadeira que ela apontou para sentar era diferente. O sonho foi terminando e simplesmente ela me fez cair em algum outro lugar, diferente, estranho e massivo que nós chamamos de realidade. Mas até hoje tenho uma enorme curiosidade em saber o nome daquela suposta “Deusa da Rotina”.