domingo, 15 de junho de 2014

domingo, 8 de junho de 2014

Acerto de contas diário com sua consciência

Deitar na cama, esperar o sono chegar, creio que esse lance de contar carneiros, seja coisa de filme,
com a tecnologia que temos, fica-se mexendo no celular, muitas vezes nos cegando, ou caindo na testa.
E enquanto o ato de dormir não se concretiza, nos lançamos em algo desconhecido,algo próximo de reflexões,anseios, frustrações, metas e a insônia torna-se mais certa que o descanso.
É nessa hora,que tudo se mistura, se materializa, quantas pessoas passaram pelo seu dia, quantos lugares passaram diante de seus olhos, quantas ofensas profanou, quantos abraços sinceros e apertados, quanto conforto suas palavras deram, disso não tem como escapar, o acerto de contas diário com sua consciência.
Gosto desse jeito, dessa fantasia, desse embarque em mim mesmo, de viajar, rodar todas as extremidades da minha aura, celebrar quando merecido, lavar os olhos para encharcar a alma,todas as angústias se terminam, para que outras comecem, aceitar novos desafios, e deletar os que não deram certo.
Enquanto meu corpo, vira de um lado, para outro, procurando se aconchegar, minha mente faz o mesmo, tenta achar o seu parador, me apoio nas incertezas do amanhã, nas pequenas lições do hoje, e finalmente alcanço a paz merecida, fecho os olhos lentamente, para acordar na manhã seguinte, como se nada tivesse acontecido...

Ó feiticeira!


Conheci várias feiticeiras ao longo da minha vida. Aparece, desaparecem. Transformam a nossa vida, e elas nos dão de presente belas histórias para lembrar e contar.

  



Havia gemidos. Suor. Cheiro. Cabelo. Estava nadando lentamente naquele corpo.
Nós dos meus dedos percorrendo com força por toda aquela pele clara, o sangue fervia e as marcas ficavam na pele.
Havia gemidos. Lua. Noite. Calor. Estava me afogando lentamente naquele corpo.
Caímos.
Ela acende um cigarro e eu abro uma cerveja.

Passo meus olhos por todo aquele corpo, jogado no sofá velho, e então murmuro:
- Dá vontade de te morder outra vez.
- Não ouse.


Apenas domingo. 
Se gostar, me ligue. 

domingo, 1 de junho de 2014

Regressão pluviométrica

A ansiedade pelo meu segundo post, estava mexendo comigo, milhões de idéias aparecendo, e não conseguia canalizar somente um devaneio, sábado à tarde, chuvoso, fui ao mercado fazer as compras para a casa.
Me molhei com tal chuvisco, dificilmente ando com guarda-chuva,já sou desastrado ao natural, imagina com um exemplar desses em mãos, queria ver se algo me surgia, comprei o que precisava, voltando para a casa,quem estava à me esperar? Se você respondeu,a chuva,acertou nobre leitor.
E de repente, me vi mergulhar num ato de apreciar tal fenômeno, que aliado ao frio, não despertava nenhuma felicidade em quem estava nela. Embarquei numa regressão, me recordei das chuvas de verão em algum janeiro dos anos noventa, sem ter nenhuma responsabilidade, apenas se molhar,dar risadas intermináveis, aproveitar a água que vinha, esbocei um sorriso bobo, e continuei minha caminhada, olhei para as poças que se formavam pela calçada, vi meu rosto, agora com barba, preocupado pelas contas à serem pagas, roupa molhada, ou até pelo que o sábado à noite me reservava, entrei em conflito comigo, parei, dei uma suspirada.
Segui, mais à frente me deparei com uma árvore, pelas minhas contas, no mínimo nesse lugar desde que me conheço por gente, lembrei de quantas vezes saia da escola, passava por esse mesmo caminho com meus amigos de infância, e percebendo que suas folhas estavam molhadas, alguém sempre dava um chute,nos ensopando,em seguida ríamos de nossa patetice. Chegando em casa, esparramei as compras pela mesa, vim para o quarto, escrever algo em relação à essa experiência que tive, antes que me escapasse.
Tudo está do mesmo jeito, quem muda é a gente, vamos acabando com nossos sonhos,e dando espaço para a alienação cotidiana,esquecemos  de aproveitar, reorganizar metas,traçar planos, melhorar como humanos, confesso que jamais pensei, ser pego por uma lição dessas, ensinamentos, estão sempre nos rodeando, esperando uma oportunidade para exercerem seu papel em nossa vida.
Amanhã,  ou depois de amanhã, sairá o sol, secará tudo, virão outras chuvas, mas essa de hoje, teve uma representatividade enorme, ela foi mais além, conseguiu lavar a alma...

domingo, 25 de maio de 2014

De gole em gole,de verso em verso,a trilha sonora é algo que me faz suspirar.
Ali isolado emocionalmente,me joguei nesse bar,usando o balcão como trincheira,procurando por nada,e achando todas respostas,sem ter feito pergunta alguma,a noite continua seu curso,aliás junto dela,minha vida,ouvir e ouvir,fazer uma piada aqui,a teimosia pela rotina,sempre foi o pior de meus vícios.
Esperar é o verbo que todo boêmio conhece, e conjuga por inúmeras vezes,ser tachado de imprestável e peso para a sociedade é inevitável,é uma sina,mas essa tal sociedade,nunca me pagou uma cerveja,e tirou um tempo para jogar conversa fora comigo,então que vá a merda.
Planejar uma noite,pensar numa bebedeira,jamais,ela se intensifica,se solidifica,até mesmo é a única coisa certa que se tem,beber,lavar a alma,que tanto se suja com falsidades,falta de ética,palavras não cumpridas,em nosso cotidiano,segue sendo meu rito de purificação preferido.
Amargo da cerveja pra combinar com a amargura da solidão,sim,o bêbado é um apaixonado fracassado,que pobre alma,não conheceu o amor verdadeiro e a cada garrafa,busca resolver sua equação.
O nível de embriaguez vai aumentando,e com ele,minhas promessas,umas quebradas,outras levadas à sério,vem me fazer companhia,metas,objetivos,deixados de lado,me entrego,não resisto,se chega num estado lastimável por fora,mas dentro de mim os festejos por alcançar tal resultado,verdades,mentiras,incertezas misturadas grosseiramente num liquidificador emocional.
O domingo é o pior de todos os vilões,me faz comer lamentações,com o pão amassado da angústia,por não conseguir sair,se livrar disso...

domingo, 18 de maio de 2014

Bar

Querida, 
Escrevo para ti, agora, me desculpando. Naquela noite, fui forçado a me comunicar, já que as batidas das suas unhas vermelhas - fazendo TAC TAC no balcão do bar - estavam me deixando louco.


Dei uma bicada na cerveja morna e olhei fixo para ela. Ela fechou um botão do decote.

- Desculpa.
- Relaxa.
- Era para ficar nisso, mas não estava dando certo.
- Cansei de vocês.
- E esse desabafo? Traz uma dose para a moça! E uma cerveja para mim. Sorte minha não ter filhos para alimentar, fim de mês tá fodendo comigo.
- Obrigada.

Ela fez descer seco – cowboy. Fez cara de estar bebendo gilete. Realmente, não era o tipo dela. Sorriu fechando os dentes.

- Qual é o teu problema? Eu tenho bons motivos para ficar louco com mulheres. Mas se eu fosse o mulherão que tu és, não estaria desperdiçando lágrimas magoadas e conversando comigo.
- Traição.
- Foda. Sei como é... Trepar com o corpo de alguém mas a cabeça estar no mofo do teto.
- Que merda! Ele deve estar dando uma agora com a secretária dele, aquela vaca. Ontem, entrou em casa e nem olhou pra mim. Será que é culpa?
- Duvido muito, quem ama não trai. A coisa é bem mais que tesão.
- Logo comigo, sempre tão segura... Mulher perfeita! Casei, lavei e cozinhei. Mulher perfeita sabe? Uma perfeita inglesa durante o dia e uma jovem francesinha à noite.

E, realmente, era uma mulher perfeita. Olhei bem no fundo dos olhos azuis e tive certeza: eles me fitavam com um sorriso que se contorcia por trás da máscara da decepção. Aquela maquiagem cara se indo para um homem que não merecia alguém assim. Ela tremia e eu podia ver sua pele suar; aquelas belas pernas terminando em um salto agulha que não parava de se mexer.
- Garçom, mais duas!
- Obrigada, to só precisando desabafar com alguém.
- Faz bem conversar. Conversou com ele já? Aposto que não! ... Tu não consegue encarar o que ele vai dizer...
- Exato. Medo de ouvir o óbvio.

Já estávamos ficando alcoolizados. Bocas amortecidas, olhares perdidos. Pedi mais duas. Trocando palavras com a língua enrolada, me mordi. Finalmente, tirou um cigarro, Marlboro Gold. Fumaça fina saindo tímida das narinas vermelhas. Ficamos nessa, por quase uma hora. No fim, estávamos tão bêbados que qualquer conselho seria impossível de ser dado. Bebemos feito porcos e, sinceramente, não tivemos uma noite muito produtiva: entornamos mais do que falamos. Saímos cambaleando e abraçados. Paramos na porta e ela chamou um táxi. Me ofereci para dividir. Ela agradeceu novamente.


Aquela noite, o táxi me deixou em casa e te levou não sei pra onde. Subi as escadas cambaleando, vomitei e caí na cama. Hoje, só lembrança e comprimidos de omeprazol. E, óbvio, uma sensação estranha de que nunca iria te ver novamente.
  
Apenas domingo. 
Se gostar, me ligue.